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quinta-feira, 20 de abril de 2017

[RESENHA] Em Algum Lugar nas Estrelas - Clare Vanderpool

Por Patrícia Christmann e Amanda Medeiros



EM ALGUM LUGAR NAS ESTRELAS
Clare Vanderpool

Ano: 2016 / Páginas: 288
Editora: DarkSide Books


Sabe aquele livro inocente, sem malícia, delicioso de ler e degustar cada palavrinha da autora e que nos leva a viajar em uma magnífica aventura repleta dos mais belos significados? Pois então, este livro se chama "Em Algum Lugar nas Estrelas".

Esta é uma história que nos faz refletir sobre nossas atitudes, sobre nossos pensamentos, sobre nossas amizades, nossas perdas. Esta é uma história de amizade, amor, lealdade e esperança.

De início, fica difícil dizer sobre o que o autor quer tratar, sabemos apenas que são dois personagens principais que saem em uma aventura. Jack, é um menino que acabou de perder sua mãe, e seu pai, capitão das Forças Armadas da Marinha está sempre ausente. No entanto, com a morte de sua amada mãe, seu pai se vê obrigado a retornar e assim precisam encontrar uma forma de continuarem a viver sem a presença da mãe. Mas, o Capitão possui compromissos demais e coloca Jack em um colégio interno, a Escola para Meninos Morton Hill, no Maine. É então que a aventura começa.

Para um garoto que veio do Kansas e acabou de perder a mãe, não é fácil se adaptar a uma nova escola, a novos amigos, há uma nova cidade, há um novo estado. Além de ser o "garoto novo" ainda leva consigo, a pressão de ser o terceiro de seu nome e o terceiro a seguir  mesma carreira militar. 

Temos então um protagonista em luto. Alguém que não quer ser obrigado a seguir um pai que pouco lhe da atenção. Mas, ao mesmo tempo, uma criança curiosa e que está disposta e enfrentar desafios junto ao garoto mais estranho que ele já conheceu, Early Auden.

“Na primeira vez que o vi, ele enchia sacos e mais sacos de areia e os empilhava como tijolos. Estava tentando impedir que o mar levasse alguma coisa, mas não sabia o quê. O que ele fazia era meio maluco, mas alguma coisa em mim entendia.”
“Sabia que Early Auden não podia isolar o oceano. Porém, o mais estranho dos garotos me salvou de ser arrastado.”

Early Auden sempre gostou muito de números, regras, mas, o mais estranho é que conta balas de goma e as separa por cores quando está ansioso e as separa de forma diferente quando está triste ou nervoso. Escolhe músicas de determinados artistas para ouvir em cada dia da semana, mas quando está chovendo é sempre Billie Holiday.


OBS:Segue abaixo a playlist da Darkiside  para acompanhar a leitura do livro. 


Early descobre nos números do Pi (3,14...) uma história, e acredita que Pi é uma pessoa, um personagem que se perdeu em algum momento e por isso, precisa encontrá-lo. Mesmo achando tudo uma loucura, Jack acompanha o amigo na aventura com o objetivo de encontrar Pi. Early acreditava que Pi seguia sempre a Constelação Ursa  Maior e se eles encontrassem o grande e lendário Urso Apalache, encontrariam Pi. 

O que na verdade Early não dizia é que a busca dele era outra, Early tinha esperanças de que seu irmão morto na guerra ainda estaria vivo mas, mais que isso, Early buscava se encontrar, buscava se sentir bem em algum lugar e este lugar era procurando nas estrelas o seu norte, a ursa maior, sua família. Early se sentia perdido, mas sabia que se procurasse Pi, o encontraria e assim, nem ele, nem Pi, e nem Jack estariam mais perdidos. Todos encontrariam motivos para continuar suas vidas. 

Jack, em seu íntmo, sabia que não era Pí quem estava perdido, mas sim ele próprio. Com tantas perdas, não havia sentido para continuar lutando e seguindo seus dias e por isso parte em busca de um sentido, em busca de Pí.

A narrativa a todo momento é intercalada pela narração da história de Jack e Early, e a narração de Early sobre a história de Pi. o que permite ao leitor o envolvimento com a história de Pi, permitindo ainda identificar as similaridades da aventura de Pí, com a aventura dos garotos. 

A forma como Early introduz a matemática em uma linda história que seu inconsciente criou para se apegar a esperança de encontrar seu irmão mais velho, é admirável. Não há como não se compadecer pela tristeza do menino.

“— Ninguém pode dizer nada sobre saber o nome das estrelas. O céu não é um campeonato ou uma prova. A única pergunta é: você consegue olhar para cima? Absorver tudo aquilo?”.
Uma história tão tocante vai mudar seu modo de ver as coisas, vai mostrar o quão importante são os detalhes e principalmente, a esperança. Que nossa busca por respostas pode começar a ser resolvida quando aprendermos a dar mais valor às coisas importantes que deixamos passar despercebidas, como uma linda amizade.

Além de questões como esperança e amizade, o livro também traz questões interpessoais, dúvidas existenciais e mostra como podemos ser egosístas quando achamos que somente nós sofremos ou que o nosso sofrimento é maior que o do outro. Muitas vezes as pessoas fazem coisas por nós nas quais não damos valor algum, mas elas fizeram e se doaram por nós, no entanto, muitas vezes estas mesmas pessoas erram conosco, e damos toda a atenção a isso. Acabamos nos vitimizando, achando que o nosso sofrimento é maior que o dela, mas esquecemos que ela também pode ter sofrido de algum modo e além de tudo, esquecemos as coisas boas que elas fizeram. 

O Livro é de fato uma lição de esperança, compreensão e perdão. E por fim...

“Nossas vidas são todas entrelaçadas. É só uma questão de ligar os pontos”.
Basta ligarmos os pontos e acharmos o nosso sentido.

E o que é que te move? 

Qual é o seu sentido? 


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