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quarta-feira, 30 de março de 2016

[RESENHA] Álbum de Casamento (Quarteto de Noivas #01) - Nora Roberts

Por Patricia Christmann


Álbum de CasamentoNora Roberts


Vision in White /// Livro 01
Quarteto de Noivas # 01
ISBN-13: 9788580412215
ISBN-10: 8580412218
Ano: 2013 / Páginas: 279
Idioma: português
Editora: Arqueiro

Sinopse: Quando crianças, as amigas Parker, Emma, Laurel e Mac adoravam fazer casamentos de mentirinha no jardim. E elas pensavam em todos os detalhes. Depois de anos dessa brincadeira, não é de surpreender que tenham fundado a Votos, uma empresa de organização de casamentos bem-sucedida. Mas, apesar de planejar e tornar real o dia perfeito para tantos casais, nenhuma delas teve no amor a mesma sorte que tem nos negócios. Até agora. Com várias capas de revistas de noivas no currículo, a fotógrafa Mac é especialista em captar os momentos de pura felicidade, mesmo que nunca os tenha experimentado em sua vida. Por causa da separação dos pais e de seu difícil relacionamento com eles, Mac não leva muita fé no amor. Por isso não entende o frio na barriga que sente ao reencontrar Carter Maguire, um colega de escola com o qual nunca falara direito. Carter definitivamente não é o seu tipo. Professor de inglês apaixonado pelo que faz, ele cita Shakespeare e usa paletó de tweed. Por causa de uma antiga quedinha por Mac, fica atrapalhado na frente dela, sem saber bem como agir e o que falar. E mesmo assim ela não consegue resistir ao seu charme. Agora Carter está disposto a ganhar o coração de Mac e convencê-la de que ela é capaz de criar suas próprias lembranças felizes. 

Com uma linda capa, toda delicada,

Álbum de casamento é o primeiro volume da serie ‘Quarteto de Noivas’ de Nora Roberts. Nele conhecemos quatro menininhas que amavam brincar de casamento.

Aos 8 anos, MACKENSIE ELLIOT já havia se casado catorze vezes. Casou-se mais de uma vez com cada uma das suas três melhores amigas – fazendo papel ora da noiva, ora do noivo-, com o irmão de uma delas (sob protestos do garoto), com dois cachorros, três gatos e um coelho.
Conforme foram crescendo Parker, Emma, Laurel e Mac encontraram nessa simples brincadeira o motivo para suas vidas. Prazer, trabalho, vocação! Foi ai que nasceu a Votos, uma empresa que organiza casamentos.
Mackensie, Mac para os mais próximos, é a personagem principal de nosso primeiro livro do quarteto. 
Uma linda fotografa que vê em seu trabalho a única razão para viver, já que nunca pode ter amor em sua vida. Vinda de uma família totalmente desestruturada e movida pelo dinheiro, Mac jamais teve uma família de verdade. Sua mãe vive em busca de um milionário que banque todos os seus desejos, e usa a filha para bancar suas terapias em spas.
Sua única família agora são as garotas da Votos. Todas ótimas amigas. Cada uma a sua maneira.
Mac tem pavor a todo tipo de relacionamento (graças ao péssimo exemplo que teve de sua mãe) e não acredita no amor, apenas em momentos que possam ser guardados através de uma bela foto tirada no momento exato. 
Ser feliz para sempre talvez fosse conversa fiada, mas ela sabia que queria tirar mais fotos de momentos que fossem felizes. Porque, assim, eles permaneceriam para sempre.
Mas tudo começa a mudar quando ela reencontra o desastrado Carter Maguire em uma situação totalmente embaraçosa que nos faz rir! Adorei todos os momentos inusitados que eles passaram nesse encontro!
Ela, fotografa, toda divertida, carismática, enérgica, determinada e de gênio forte. Ele, professor de literatura inglesa, nerd, todo certinho e totalmente desastrado!  Mas com um charme que nem Mac consegue resistir. (E confesso que nem eu resistiria! rsrs) 
Confusa com seus sentimentos, ela tenta manter distancia e se concentrar apenas em seu trabalho, mas isso parece impossível, já que seu pensamento não a deixava esquecer esse lindo professor que cita Shakespeare, usa paletó de Tweed e um óculos a tiracolo.
Quem poderia imaginar que o professor de inglês, o cara legal que dava com a cara na parede, podia beijar desse jeito? Parecia que os planos dele eram arrastá-la para a caverna mais próxima, arrancar-lhe as roupas e deixar que ela arrancasse as dele.
Só podia dar nessa bagunça! Rsrs
O que conta são os momentos. Sei disso melhor do que ninguém, mas nunca o apliquei na minha vida. O que conta são as pessoas, o que elas sentem, as relações que estabelecem, quem são quando estão sozinhas ou com alguém. Tudo isso é importante, e tanto faz se o momento passa depressa. Talvez seja assim justamente porque ele passa. O que importa é que você é a borboleta azul.
Eles acabam se conhecendo melhor e descobrindo uma paixão de tempo de colégio que pode renascer. Entre brigas, amor e muitos desastres, Nora consegue desenrolar essa historia de uma maneira surpreendente nos mostrando um lado de Mac que nem ela mesma conhecia. Mas será que ela será capaz de conhecer o amor? Ou seu medo de ser iludida falará mais forte?
Uma mistura de romance e comedia que me fez querer mais! Adorei toda a historia e ri bastante. Agora o jeito é esperar conseguir os outros.
                            




sábado, 19 de março de 2016

[RESENHA] A Viuvinha, José de Alencar

Por Amanda Medeiros


E em clima de clássicos, hoje é o dia de falar de um livro que muita gente não dá muita importância, mas que foi um dos primeiros livros a serem publicados em forma de folhetim: A viuvinha.

Como muitos já sabem, José de Alencar foi um importantíssimo autor do período denominado como Romantismo. Com o surgimento da imprensa, José de Alencar foi um dos primeiros autores a escrever romances de folhetim, que por sua vez trouxe maior acesso da literatura à população em geral, lembrando que até então, tinham acesso à literatura apenas as pessoas de posses que tinham condições de estudar e comprar livros que eram caríssimos. A imprensa facilitou o acesso à leitura e viralizou os romances de folhetim, transformando José de Alencar em uma verdadeira celebridade na época. 

A viuvinha
Sinopse: Na obra de José de Alencar, "A Viuvinha",publicado em 1860, Jorge e Carolina são os protagonistas. Nunca se viu um casal tão apaixonado. Todas as noites, o namoro puro, cheio de encanto e doçura. E afinal o casamento, que deveria durar para sempre. Mas Jorge, sem saber, precisava acertar velhas contas, e a morte o seu preço. A única esperança é que tudo fosse apenas um conto de fadas, onde o amor é tão grande que a morte fica pequena.




Esta resenha contém spoiller da obra. O Romance A viuvinha é um romance urbano que retrata os costumes da sociedade carioca do Segundo Reinado. O casamento era algo muito importante na época e por este motivo ele é o enfoque do livro. Jorge, um rapaz muito bem apessoado, apaixona-se por Carolina e juntos vivem um romance que resulta em casamento. O que Carolina não sabia é que Jorge havia gasto todo o dinheiro que herdara de seu pai e por este motivo não se achava digno de viver com a esposa em meio à pobreza. Jorge então forja a sua morte assim que se casa e resolve pagar todas as suas dívidas para somente então voltar para sua amada. 

Como vemos, na época o casamento era algo muito importante e a mulher vivia para casar e cuidar de seu marido. Quando Carolina pensa que seu marido tenha morrido sem nem ao menos terem a lua de mel tão esperada, Carolina se vê obrigada, pelos costumes da sociedade a mudar todas as suas vestes que até então eram das mais variadas cores, por vestidos pretos, indicando que ela estaria viúva.

Por anos Carolina permanece vestindo preto e sem se importar com o tempo em que estivera de luto. Carolina amava Jorge e nunca mais abriria seu coração novamente até que uma pessoa surge em sua janela e para a sua surpresa era Jorge que ela descobira não ter morrido. Tamanha é a alegria de Carolina que ela não se importa ter ficado só durante todos esses anos e aceita o marido novamente.

Neste romance, percebemos a submissão da mulher ao homem e aos costumes. A protagonista deveria vestir preto para mostrar à sociedade que ela estaria de luto, deveria aceitar o marido sem questioná-lo por suas mentiras. Uma mulher totalmente sem poder de decisão, fraca, totalmente oposta de outras mulheres descritas por Alencar. Contudo, esses eram os costumes, e quando falamos em Romantismo, notamos que o autor apenas romantiza os costumes da sociedade e não os critica. 

Também nota-se que ter posses e honrar com as dívidas era mais importante ao homem do que um casamento. Jorge não voltou para sua esposa enquanto não limpou o seu nome e o nome de seu pai, pagando todas as dívidas e conseguindo algum dinheiro para se manter, Jorge volta para a esposa, certo de que ela o estaria esperando e assim vivem felizes no casamento.

Neste livro, observa-se que o conflito foi resolvido e a morte, muito presente neste período, foi apenas um engano, permitindo ao casal manter a sua felicidade. Este, não é o melhor livro descrito por Alencar, até mesmo pelas faltas de metáforas, comparações e críticas, porém, não podemos deixar lembrar que este foi o terceiro livro deste autor e que muitas de suas obras foram essenciais para o período. Uma leitura rápida e fácil, vale a pena experimentar a leitura!



terça-feira, 15 de março de 2016

[RESENHA] Casamento à prova de amantes - Cristina Chen

Por Patricia Christmann

Casamento à Prova de Amantes


Cristina Chen
ISBN-13: 9788568841365
ISBN-10: 8568841368
Ano: 2015 / Páginas: 120
Idioma: português 
Editora: Asè Editorial
Sinopse: Ao se casar, Beto não imaginou que teria que se confrontar com seus medos e angústias. Carol por sua vez, afetada pela maternidade e pelas mudanças de seu marido, acabou entrando em crise também. E assim, um casal que deveria estar focado na vida a dois e na tarefa de cuidar de Babi, sua filha de quatro anos, se vê envolto em outras atividades. Será que essa família sobreviverá? Ou será que acabará sucumbindo às provocações que a vida prega?





Bom dia meus amores! Como estão?Hoje venho para falar sobre o livro ‘Casamento à Prova de Amantes’ da nossa querida parceira Cristina Chen.
Não sei do que eu gostei mais, se das verdades escritas, da capa incrível e sexy ou se da maravilhosa dedicatória para mim (sim, estou me gabando aqui!!!).

Com fonte grande e apenas 120 paginas, é um livro de fácil leitura e compreensão. Realmente gostei desse livro.
Nele conhecemos Carol, uma linda mulher bem-sucedida, com um lindo marido e uma filha de 4 aninhos chamada Babi. Uma família linda e perfeita! Será?



O que é uma família perfeita?A sociedade nos impõe inúmeros padrões, e muitos deles tem ligação coma família. Não pode brigar, não pode sair sozinho, não pode expor seu ponto de vista... Mas ao mesmo tempo o ser humano tende a ser arrogante, individualista. Por isso muitos casais acabam sucumbindo.Beto e Carol vivem um casamento de fachada. Aos olhos dos outros são considerados uma família perfeita. Mas entre quatro paredes vivem um verdadeiro inferno. O casal não se toca com amor, não se fala e, ainda por cima, Carol tem um candidato a amante (já que se encontram em um quarto de motel mas nunca consumaram o ato). E , ao mesmo tempo, desconfia que seu marido também lhe trai.Cristina explora em seu livro o dilema de muitos casais. A chegada de um bebe, a falta de demonstrações de amor, falta de respeito um pelo outro e a falta de união. Quantas mulheres se sentem feias, gordas e sem graça depois de ter um filho? Quantas vezes sentimos ciúme dessa criança por perder a total atenção do parceiro? E ele? Como se sente tendo que ficar de lado, pois a criança passa a ser o centro de tudo. E a cobrança por parte da sociedade? Será que família é um conto de fadas onde Mamãe, Papai e Filhos devem ser perfeitos?Casamento à Prova de Amantes nos mostra uma família em ruínas que luta para não se perder totalmente. Um casal que mesmo estando à beira do divorcio ainda tem esperança de se encontrar e poder dar a Babi uma vida melhor, onde Beto e Carol não sejam “cão e gato” brigando por poder. Mas será que conseguirão passar por todas as provações? 


Confesso que fiquei abalada com esse livro! Muitos desabafos da Carol já passaram por minha cabeça, assim como por de milhares de mulheres que são mães. E o final! Me esclareceu muitas coisas também. Chorei junto com Babi! Super indico esse livro!


Gostou? Então entre em contato com a autora Cristina Chen para adquirir o seu!Facebook: Escritora Cristina Chen. Blog: inventandose.blogspot.com.br Instagram: @inventandoseEbook: http://www.amazon.com.br/Casamento-prova-amantes-Asè-Editorial-ebook/dp/B01976IPSQ

Pinterest:@inventandose

E agora, a surpresa final!!!Para comemorar nossa parceria com a autora Cristina Chen, vamos sortear um exemplar de Casamento à Prova de Amantes autografado!!!Quer participar?Corre para o nosso IG e encontre a foto oficial do sorteio!
https://www.instagram.com/p/BC-iaYkjhdm/?taken-by=saberesliterarios

E boa sorteeee!!!

sábado, 12 de março de 2016

Afinal, o que é um clássico da literatura?

Por Amanda Medeiros



Muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o que é um livro clássico, ou como um livro se torna um clássico. Vejam bem, um livro não se torna clássico da noite para o dia e já ouvi muitas pessoas perguntando se os Best sellers são clássicos. Um Best Seller, é um livro considerado como literatura de massa, para um público semiculto, ou seja, normalmente são livros de leituras fáceis e rápidas onde o leitor não precisa ser muito culto para a sua compreensão e, por esse motivo acabam vendendo milhares e milhares de cópias. Um exemplo de Best seller são os livros de Harry Potter, Código Da Vinci, a trilogia tanto amada quanto odiada Cinquenta tons de cinza, dentre muitos outros livros que alcançam um sucesso estrondoso entre o público leitor.

Contudo, um Best Seller passa muito longe de ser um Clássico e é muito comum ouvir pessoas dizendo que os clássicos são chatos e difíceis de se ler. Essa é uma das diferenças entre um clássico e um best seller. Um clássico é um livro que de maneira geral representa uma sociedade da época em que foi escrito. A partir de um livro clássico, pode-se conhecer um pouco da cultura e dos costumes da sociedade da época, não perdendo portanto, o seu valor. Muitos dos livros clássicos tentavam prever o futuro da sociedade ou por meio de metáforas imaginavam no que a sociedade se transformaria no decorrer dos anos. Outros clássicos apenas relatavam, a partir de alegorias, os costumes da sociedade e se utilizavam disso para criticar determinados tipos de comportamento. 

Portanto, um livro clássico é muito mais do que um livro velho. Um clássico representa uma sociedade, diferenciando-se do best seller. No site Domínio público, você encontra diversos livros disponíveis para download, na sua grande maioria clássicos da literatura brasileira e universal. 

No livro 50 clássicos que não podem faltar na sua biblioteca, você encontra 50 sugestões de clássicos para conhecer a história da literatura universal. Segue abaixo os livros sugeridos pelo livro. Se gostou das sugestões, basta entrar no site do Domínio público e baixar o livro que tenha lhe interessado. Boa leitura!


1. "Ilíada", de Homero

2. "Odisséia", de Homero

3. "Eneida", de Virgílio

4. "Dom Quixote", de Miguel de Cervantes

5. "Robinson Crusoé", de Daniel Defoe

6. "Tom Jones", de Henry Fielding

7. "Persuasão", de Jane Austen

8. "O Vermelho e o Negro", de Stendhal

9. "O Pai Goriot", de Honoré de Balzac

10. "Jane Eyre", de Charlotte Brontë

11. "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë

12. "Moby Dick", de Herman Melville

13. "A Casa Soturna", de Charles Dickens

14. "Madame Bovary", de Gustave Flaubert

15. "O Fauno de Mármore", de Nathaniel Hawthorne

16. "Guerra e Paz", de Leon Tolstói

17. "O Idiota", de Fiódor Dostoiévski

18. "O Primo Basílio", de Eça de Queirós

19. "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis

20. "Pan", de Knut Hamsun

21. "Judas, o Obscuro", de Thomas Hardy

22. "Coração das Trevas", de Joseph Conrad

23. "As Asas da Pomba", de Henry James

24. "Howards End", de E. M. Forster

25. "Morte em Veneza", de Thomas Mann

26. "A Época da Inocência", de Edith Wharton

27. "Mulheres Apaixonadas", de D. H. Lawrence

28. "Ulisses", de James Joyce 29. "O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald

30. "O Processo", de Franz Kafka

31. "O Sol também Se Levanta", de Ernest Hemingway

32. "Narciso e Goldmund", de Hermann Hesse

33. "Enquanto Agonizo", de William Faulkner

34. "As Ondas", de Virginia Woolf

35. "O Estrangeiro", de Albert Camus

36. "O Apanhador no Campo de Centeio", de J. D. Salinger

37. "Lolita", de Vladimir Nabokov

38. "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa

39. "On the Road – Pé na Estrada", de Jack Kerouac

40. "O Gattopardo", de Giuseppe Tomasi di Lampedusa

41. "O Tambor", de Günter Grass

42. "Coelho Corre", de John Updike

43. "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez

44. "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector

45. "À Espera dos Bárbaros", de J. M. Coetzee

46. "Os Filhos da Meia-noite", de Salman Rushdie

47. "Meridiano de Sangue", de Cormac McCarthy

48. "Amada", de Toni Morrison

49. "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", de José Saramago

50. "Submundo", de Don DeLillo

terça-feira, 8 de março de 2016

[RESENHA]A casa dos Budas Ditosos, João Ubaldo Ribeiro

Por Amanda Medeiros

Preciso confessar que quando li este livro estava com uma expectativa além da conta já que me foi um livro muito indicado por amigos leitores e amantes deste tipo de livro. Não é segredo para ninguém que aprecio o gênero erótico, HOT, caliente ou pornográfico (esta palavra eu, particularmente, não gosto muito) onde os autores falam de sexo sem se importar com o que o leitor está achando/pensando ou ainda explicitam o desejo das personagens em um ato carnal de puro desejo.

Vamos conhecer então a história do livro:

A casa dos Budas Ditosos
João Ubaldo Ribeiro
Coleção Plenos Pecados: Luxúria
Ano: 1999 / Páginas: 163
Editora: Objetiva
Sinopse: Ao receber, segundo afirma, um pacote com a transcrição datilografada de várias fitas, gravadas por uma misteriosa mulher, o escritor João Ubaldo Ribeiro não podia imaginar o que o esperava. E o inocente leitor, que sequer pode suspeitar o que o aguarda em cada uma das páginas deste livro. Nelas se conta uma vida. E a suposta autora teria enviado seu testemunho para que fosse utilizado para o volume sobre a luxúria da Coleção Plenos Pecados. O escritor aceitou o oferecimento e o resultado final está agora diante de você. Que deve preparar-se para um relato pouco comum, às vezes chocante, às vezes irônico, sempre instigante. Na verdade, dificilmente a ficção poderia alcançar os limites do que a devassa senhora viveu e narra em detalhes riquíssimos. Se o leitor tem alguma dúvida, ela logo se dissipará, neste fascinante mergulho na vida espantosa de uma mulher sem dúvida excepcional, cuja narrativa alcança as dimensões de um retrato sociológico de toda uma cultura e uma geração, envolvendo um dos pecados mais indomáveis, e capitais.


Infelizmente eu o li com uma grande expectativa, como já mencionei anteriormente e, posso dizer que foi uma leitura um tanto quanto estranha. Nem boa, nem ruim. 

Para quem gosta desse gênero, este é um livro único. Você não achará uma história parecida em lugar algum. Primeiro porque, apesar de ser um romance publicado por João Ubaldo Ribeiro, esta é uma "autobiografia" da vida sexual de uma senhora de sessenta e poucos anos, que imagino eu, não deva gostar de ser chamada de senhora. Segundo porque, sem pudores, essa senhora narra suas aventuras sexuais de forma muito corriqueira, como se tudo o que ela fizesse fosse normal ao leitor, mas que na verdade o choca de tal forma a por realmente em dúvida alguns pontos da narrativa.
Se você gosta de romances eróticos mas ainda gosta de um romantismo, este livro NÃO é para você. Neste livro a autora ( ou autor - afinal, não se tem certeza se realmente uma pessoa entregou essas fitas a João Ubaldo Ribeiro de fato) enaltece a natureza animal do homem, trata seu corpo como se fosse um animal e tem o comportamento de uma cadela no cio (desculpe minhas palavras, mas não consegui outro termo para conseguir me expressar).

Não só eu, mas como a sociedade ocidental em geral, ainda possui muitos dos princípios católicos enraizados na personalidade tanto a nível individual como grupal. Tentamos, em geral, manter o pudor, a monogamia, evitamos o incesto já que somos humanos e capazes de pensar e construir laços amorosos com nossos parentes que não necessariamente incluem o desejo sexual e/ou carnal. 

A protagonista trata a si mesma como um mero animal, como se não houvessem vínculos. Age apenas por extinto e para satisfazer suas vontades como se não tivesse valores sociais. Claro que os valores dependem da cultura em que o sujeito está inserido e as comparações que ela faz com a cultura grega de A.C. não remete aos valores atuais. Ao meu ver, as argumentações dela são fundadas em comportamentos extintos e menosprezados pela sociedade há séculos, não fazendo mais sentido na atualidade. 

Ao fazer sexo com seu tio, irmão, cunhada, mantendo um desejo sexual pelo pai e um grande ódio pela mãe, só pude concluir que a autora tentou fazer da sua vida uma história mitológica. Nota-se grande semelhança com a História de Édipo Rei. Em termos psicanalíticos podemos concluir que a mesma possui uma grande fixação na fase genital quando se fala em desenvolvimento psicossexual. O ódio que nutre por sua mãe, nada mais é do que a inveja que possui por não poder ter relações sexuais com o pai, e para suprir esta necessidade, ela acaba ficando com o tio. Porém, como o tio NÃO é o pai, ela não consegue finalizar e concluir o ato sexual em si, permanecendo apenas nas preliminares durante anos. 

Numa narrativa feminista, a autora muitas vezes repreende a sociedade por recriminar as mulheres que fazem o que querem com seu próprio corpo, mas também aponta para a questão machista de homem ser um ser superior, quando na verdade o machismo os deixam mais fracos: 

"O próprio machismo voltou contra os machões, tornou homem prisioneiro dele mesmo, obrigado a não chorar, não broxar, não afrouxar, não pedir penico."

Uma leitura chocante na qual você deve deixar de lado seus valores e princípios morais para poder usufruí-la de maneira adequada. Como disse anteriormente, não é uma leitura ruim, porém, sim, eu sou mulher e gosto de romantismo (o que é diferente de melodrama). 


quarta-feira, 2 de março de 2016

[RESENHA] A Menina Submersa: Memórias - Caitlín R. Kiernan

Por Patricia Christmann


A Menina Submersa: Memórias



ISBN-13: 9788566636253
ISBN-10: 8566636252
Ano: 2014 
Páginas: 320
Idioma: português 
Editora: DarkSide® Books

Sinopse: 'A Menina Submersa - Memórias' é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por sereias e licantropos. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de camadas, mitos e mistério, beleza e horror, em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do 'real' sobre o 'verdadeiro' e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma 'obra-prima do terror' da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica, e vencedor do importante Bram Stoker Awards 2013. A autora se aproxima de grandes nomes como Edgar Allan Poe e HP Lovecraft, que enxergaram o terror em um universo simples e trivial - na rua ao lado ou nas plácidas águas escuras do rio que passa perto de casa -, e sabem que o medo real nos habita. O romance evoca também as obras de Lewis Carrol, Emily Dickinson e a Ofélia, de Hamlet, clássica peça de Shakespeare, além de referências diretas a artistas mulheres que deram um fim trágico à sua existência, como a escritora Virginia Woolf.
Um livro dentro de outro livro.
Realmente é isso, mas não somente isso, há muito mais!
Sou apaixonada pela edição especial com formato de diário! É maravilhosa! Mas tenho apenas a normal. Com folhas amarelas e fonte bem adaptada, o livro A Menina Submersa contem varias ilustrações ao decorrer das páginas. Achei muito fofo os besouros, folhas, borboletas que encontrei no meio da leitura. Acrescenta um ar mais surreal a história, não que precise.
A leitura é meio difícil no começo, pois a narração é feita em primeira pessoa e em momentos diferentes, o presente e o passado se misturam para mostrar um pouco desse mundo de sereias e lobos.
'Vou escrever uma história de fantasmas agora’, ela datilografou. 'Uma história de fantasmas com uma sereia e um lobo’, datilografou mais uma vez.
Em A Menina Submersa, Caitlín nos apresenta India Morgan Phelps, filha de Rosemary Anne e neta de Caroline. Uma jovem em busca de algo que lhe ajude a se livrar da “maldição da família Phelps”. Com um histórico genético esquizofrênico e paranoico, Imp luta contra os fantasmas de sua vida.
A historia de Imp gira em torno de Abalyn, sua namorada e de Eva Canning, uma sereia-loba. Imp escreve um “diário” para tentar aprisionar seus fantasmas em algum lugar que não seja nela mesma. E para tentar entender o que realmente aconteceu.
O que mais tememos não é o conhecido. O conhecido, por mais horrível ou prejudicial à existência, é algo que podemos compreender. Sempre podemos reagir ao conhecido. Podemos traçar planos contra ele... Mas o desconhecido desliza através de nossos dedos, tão insubstancial quanto um nevoeiro.
Seus ataques de pânico e alucinações são cada vez mais fortes e frequentes, causando sérios danos a sua vida profissional e pessoal.
Caitlín nos mostra um mundo totalmente confuso e distorcido pela esquizofrenia onde somos levados aos piores pesadelos ou a fascinação cegante de fatos que nem mesmo Imp sabe se são reais. Uma personagem que esta ciente de que pode estar mentindo mesmo tentando contar apenas a verdade. Um mundo totalmente diferente para nos lúcidos.
Será que somos capazes de entender o que se passa no mundo de Imp? Será que ela mesma sabe o que aconteceu? Ou seria uma fantasia criada para bloquear seus verdadeiros traumas?

Espero que gostem.
Grande beijo meus queridos.